O jornal A Tarde de hoje (18/07), em reportagem assinada por Priscila Machado, informa que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) junto com a prefeitura de Salvador, querem a imediatamente desocupação dos arcos da Ladeira da Conceição para a construção de “residências artísticas”. Há pelo menos cinco décadas os arcos são utilizados por serralheiros, marmoreiros e ferreiros, que trabalham no local. O prazo para desocupação dado pelos órgãos públicos termina hoje.
O serralheiro Edmilson Rodrigues, 63, afirmou à reportagem que teme ficar sem nenhuma fonte de recursos para sobreviver. “Pagamos por essa propriedade, temos documentos de compra e venda e estamos com o IPTU em dia. De repente eles nos entregam este documento e nem ao menos nos indenizam ou nos transferem oara outro lugar. É falta de respeito”, protestou.
O ferreiro José Adário, 66, produz ferramentas e esculturas para o candomblé desde a infância. Ele garante que recebe turistas de várias partes do mundo, interessados na sua arte, que pratica desde os dez anos de idade. O antropólogo holandês Mattijs Van de Port fez um filme curto sobre Adário, conhecido também por Zé Diabo. Veja aqui:
http://vimeo.com/101051373
Segundo a reportagem a defensora do Núcleo Fundiário da Defensoria Pública, Maira Calmon, informou que a retirada arbitrária é ilegal. O promotor público Edvaldo Gomes, do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico do MP-BA levantou a possibilidade do órgão entrar com uma ação que declare o valor cultural dos profissionais para evitar a desapropriação.
O jornal informa também que a intervenção no local está prevista em um plano de “reabilitação” do Centro Antigo, apresentado pelo governo do Estado. Este projeto prevê a recuperação de 23 monumento, requalificação de 326 vias e desapropriação de 328 imóveis, que serão restaurados para ganharem “melhor uso”, como as “residências artísticas” previstas para a Ladeira da Conceição.
fonte:http://vimeo.com/101051373